Milagre

"Olhar a orquídea é ter tempo para a vida, e reconhecer nela o milagre que nos permite caminhar todos os dias", Quaresma..

quinta-feira, 30 de junho de 2011

SEXTA FILOSÓFICA

“Ciclo de Palestras: Filosofia e Mitologia”

A ACNA-Manaus (Associação Cultural Nova Acrópole de Manaus) realiza em parceria com a Livraria Valer o projeto SEXTA FILOSÓFICA, com o ciclo de palestras: Filosofia e Mitologia, composto de três conferências ministradas pela professora Kelly Aguiar, sempre às 19h, no Espaço Cultural da Livraria Valer (Av. Ramos Ferreira, 1195 – Centro). A participação é gratuita e aberta ao público em geral.

A SEXTA FILOSÓFICA consiste em uma palestra expositiva de uma hora de duração, seguida de 30 minutos para discussão. As palestras aproximam o público de ideias atemporais, que em muito contribuem para o desenvolvimento pessoal.

  Palestras do ciclo Filosofia e Mitologia:

·         “Os doze trabalhos de Hércules e o Mito do Heroi” (01/07)
·         “O Rei Arthur e o Mito da Eterna Procura” (05/08)
·         “O Anel dos Nibelungos e o Mito do Poder” (02/09)

O encontro da Mitologia que encerra realidades profundas e de valor para o ser humano e da filosofia, a qual nos permite ver o que há por trás das coisas – um enfoque perfeito para extrair dos mitos tudo que podem nos ensinar – é a proposta deste ciclo. A mitologia sempre fez parte dos estudos dos filósofos de todos os tempos, é o exercício por excelência para o desenvolvimento da inteligência, uma vez que os mitos falam ao discernimento (inteligere) e não à razão.
Em julho, “Os doze trabalhos de Hércules e o Mito do Heroi”  mostra o valor formativo das provas, oportunidades de aprendizado que na história se apresentam por 12 provas a serem vencidas pelo heroi. Em agosto, “O Rei Arthur e o Mito da Eterna Procura” conta-nos sobre um grupo de cavaleiros que devolvem a paz a um reino quando encontram o graal, um cálice sagrado - a história fala do homem que encontra a si mesmo e traz conhecimentos  valorosos sobre como podemos fazer esta mesma façanha. Por fim, “O Anel dos Nibelungos e o Mito do Poder” aborda a história do heroi Sigfrid, o qual tinha a missão de guardar um poderoso anel que tinha a propriedade de possuir aqueles que o possuiam - a história que inspirou O Senhor dos Aneis ensina sobre como ter as coisas sem ser tido por elas.
Palestrante: Kelly Aguiar diretora de Nova Acrópole em Manaus, ministra aulas de filosofia e cursos voltados para o desenvolvimento humano em várias capitais e em Nova Acrópole – uma organização internacional não lucrativa, que há 53 anos  promove uma cultura ativa, que desperta as capacidades do homem e promove  o resgate de valores atemporais, através da filosofia.
  A Nova Acrópole harmoniza princípios de união e colaboração para além de todas as diferenças culturais, sociais ou religiosas. Seus membros e simpatizantes participam ativamente na vida social, docente e profissional das distintas comunidades, por intermédio do voluntariado de seus integrantes.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

"A cidade perdida dos meninos-peixes", mais uma obra de Zé Maria Pinto

       Depois de meses, um suspiro, um tempo vago, mente limpa e despreocupada. É assim que reabro as postagem neste blog, que para minha surpresa já está com mais de oito mil acessos, mesmo sem movimentá-lo por mais de três meses. A nova postagem é mais um convite aos amantes da nossa literatura regional. É para o lançamento do livro "A cidade perdida dos meninos-peixes".


Segue o release:

A Editora Valer e a Livraria Saraiva MegaStore realizam no próximo dia 18 de junho mais um Encontro com a Palavra. Na ocasião será lançado o livro A cidade perdida dos meninos-peixes, do escritor Zemaria Pinto, que conversará com o público presente sobre o conteúdo de seu livro. O evento acontecerá às 16h na Livraria Saraiva MegaStore do Manauara Shopping, situada na Av. Mário Ypiranga Monteiro (antiga Recife), 1300 – Adrianópolis.

Antes do homem, o macaco. Antes do macaco, o peixe. Antes da terra, a água. Se nos fosse permitido viajar ao passado, essa seria a sequência que observaríamos: um planeta coberto de água, com uma vida totalmente submersa. Mas isso aconteceu há bilhões de anos. O planeta transformou-se e, apesar de ser coberto ainda, em sua maior parte, por água, chama-se Terra. A explicação é muito simples: é na terra que vive a humana gente, que, afinal, manda e desmanda no planeta.
Em seu décimo livro, A Cidade perdida dos meninos-peixes, Zemaria Pinto expõe de forma reflexiva a narrativa da lenda do povo-água que por sua vez era possuidora da lenda do povo-terra com “atualizações” do mundo moderno. Dessa forma o autor faz uma crítica da realidade contemporânea, ao apresentar a crise do mundo em seus aspectos ambientais e sociais. Em uma passagem da obra, Zemaria apresenta o cenário em que desenrola a narrativa.
Mas essa não é uma regra absoluta. Na imensidão do mar-oceano ou nas profundezas dos grandes rios existem vestígios de antigas civilizações que não migraram para a terra, mas cumpriram ali todos os estágios da evolução. São cidades inteiras que se desenvolveram sob as águas, dando motivos para muitas histórias, que, de tão repetidas e transformadas, tornaram-se lendas. No Amazonas, por exemplo, a Iara é uma dessas lendas: uma bela moça, que em noites de luar emerge para encantar os pescadores, levando-os para seu reino, no fundo dos rios. O boto conquistador é um rapaz que freqüenta as festas no interior e, após seduzir as mocinhas ingênuas, desaparece nas águas escuras dos rios amazônicos. Essas lendas fundamentam-se em casos que são passados segundo uma tradição oral, que se renova sempre e sempre.

Sobre o autor
Ensaísta, dramaturgo e poeta, Zemaria Pinto é professor de Teoria da Literatura e de Literatura Brasileira. Além de inúmeras palestras sobre literatura, tem ministrado oficinas e cursos, com destaque para a poesia. Tem dez livros publicados: três de poemas (Fragmentos de silêncio – 1995, Música para surdos – 2001), um de haicais (Dabacuri – 2004); uma peça de teatro (Nós, Medéia – 2003), dois de ensaios para o vestibular (em 2000 e 2001, em parceria com o professor Marcos Frederico Krüger), organização de poemas de Octávio Sarmento (A Uiara & outros poemas – 2007) e um de teoria literária (O texto nu – 2009), além do recém-lançado ensaio O conto no Amazonas – 2011. Próximos lançamentos: O beija-flor e o gavião (juvenil), Viagens na casa do meu avô (infantil), Ensaios ligeiros (artigos), Drops de pimenta (contos), Lira da madrugada (ensaio). Peças de teatro: Papai cumpriu sua missão, Diante da justiça e O beija-flor e o gavião (encenadas); Nós, Medéia, A cidade perdida dos meninos-peixes (versão para o palco), Otelo solo e Cenas da vida banal (inéditas). Membro da Academia Amazonense de Letras, Zemaria Pinto mantém os blogs: O Fingidor (http://ofingidor2008.blogspot.com), Poesia na Alcova (http://poesianaalcova.blogspot.com) e Palavra do Fingidor (http://palavradofingidor.blogspot.com), divulgando a literatura produzida no Amazonas.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Poesia. Mas, quem gosta de poesia?

Castro Alvez, poeta brasileiro
Dia 14 de março. Poucos brasileiros sabem que nessa data é comemorado o Dia Nacional da Poesia, uma homenagem ao poeta de 'Navios Negreiros', Castro Alves. Em Manaus, graças a Deus, haverá alguma movimentação, algum sarau de libertação. Mas, quem gosta de poesia? Geralmente os que as escrevem, os poetas que as criam no seu mundo particular e alguns poucos simpatizantes dessa arte.
     Mas, o que seria do mundo de todos nós sem as epopéias épicas de Homero (Odisséia e Íliada) e de Vírgilio (Eneida), sem os sonetos de Camões, sem a poesia lírica saudosista de Fernando Pessoa, sem o romantismo barroco de Pablo Neruda? O que seria também do nosso mundo brasileiro sem movimentos (só para citar alguns) como o Romantismo, Barroco, Arcadismo, Naturalismo e Modernismo?
     Seríamos quem sabe a nação mais atrasada no campo do conhecimento. E não estamos longe dessa afirmativa. Apesar da economia pujante, como brasileiro, me entristeço ao saber que ainda somos a nação com pior desempenho em leitura, embora tenhamos grandes quadros literários, e porque não dizer da indústria literária cada vez mais feliz nas produções.
     Pesquisa realizada em 2010 apontou o Brasil como 53º país na lista em desempenho de leitura. No entanto, penso que dados como esses dizem muito pouco. Até porque nunca perguntaram quantos livros, eu e os meus amigos mais próximos, costumamos ler durante o ano. Em 2010, pelo menos eu li seis. Pouco, penso, mas os li. Contudo, do pouco que dizem as pesquisas, para uma coisa é importante acordar: a necessidade de incentivo a leitura.
     Na antiguidade, a leitura, como bem contou o filme ‘O nome da Rosa’, do crítico literário italiano Umberto Eco, era o bem mais precioso. No contexto, o livro proibido era do filósofo Aristóteles.  Proibida para todos os homens, a leitura daquela obra significava a libertação de correntes da igreja que pregava a centralização do poder. A igreja não queria ser questionada, da mesma forma que os ditadores da nossa história e os da atualidade brasileira e internacional não querem.
     Mas estamos falando de poesia. Uma arte que liberta e diz a todos Carpe Diem. Agora imagine como e o que seríamos sem a poesia de Casimiro de Abreu, Augusto dos Anjos, Castro Alves, Manuel Bandeira, Carlos Drummond, Mário Quintana, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, Cora Coralina, Jorge Tufic, Luiz Bacellar e Thiago de Mello (mais uma vez só para citar alguns)?
     É difícil de imaginar, até porque muito do que aprendemos nos chegaram de forma transversal. Assim, sem querer querendo. E, no mundo de hoje, essa arte parece cada vez mais distante das salas de aula, das praças e do encontro de amigos, como ocorria em Manaus, debaixo de um Mulateiro, na década de 50, com o Clube da Madrugada.
     O resgate é necessário sob pena de termos que colher uma sociedade cada vez mais individualista, de cada vez menos leitores dos livros e do mundo.
     Um bom exemplo de como fazer esse resgate começa a ser estruturado por uma nova geração de poetas amazonenses. Jovens que compõem grupos como: a Sociedade Cultural da Marmota, o Clube Literário do Amazonas e o Grupo Metamorphose. Gente que há algum tempo vem trabalhando para levar a poesia para os outros, produzindo poesia e promovendo encontros para apresentá-los aos demais.
     Na próxima segunda-feira (14.03.2011), Dia Nacional da Poesia, essa nova geração de poetas amazonenses se encontrará com poetas já consagrados, num sarau para mais de 500 estudantes das escolas municipais das Zonas Norte e Leste de Manaus. O encontro será realizado, às 14h, patrocinado pela Prefeitura de Manaus, no anfiteatro do Jardim Botânico Adolpho Ducke, bairro Cidade de Deus, Zona Norte.
     Coordenador do evento, o diretor executivo da Secretaria Municipal de Juventude (Semje), Ivan Brito, disse que poetas como Thiago de Mello, Celdo Braga e Tenório Telles, por exemplo, dividirão palco com novos escritores da Sociedade Cultural da Marmota, Clube Literário do Amazonas e Grupo Metaphora.
     O coordenador do Clam, professor e poeta Nelson Castro, disse que o encontro é o primeiro de muitos de 2011 que buscarão promover a educação por meio da arte. Segundo ele, os novos poetas que estão organizando o encontro já vêm de algum tempo estudando e se formando para apresentar um bom trabalho para a sociedade, e com isso incentivar a leitura e surgimento de novos escritores.
     Como membro da Sociedade Cultural da Marmota, digo que a leitura como libertação pode e deve ser encarada como política pública de Estado, mas, é claro, dentro de uma fórmula pedagógica que não a coloque como obrigação. Até porque a poesia como arte e o poema como obra devem ser a introdução de homens e mulheres à leitura do próprio mundo.

Por Emerson Quaresma


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Vou abrir minha igreja e já volto!!! (Folha de São Paulo)

       Quando criei o Blog do Quaresma, tinha ideia de uma linha editorial com publicações somente de minha autoria (Emerson Quaresma). Textos jornalísticos, opinativos e literários sobre Política, Literatura e Sociedade. Contudo, percebo que há produções de relevância extrema para a sociedade e que por isso, pelo dever cívico, devem ser difundidas mais e mais. Precisam tornar de conhecimento amplo do público pelo absurdo tamanho que é num País como o nosso, que vergonhosamente só aprende com os erros que comete.
     Situações as quais necessitam ser ajustadas por quem tem competência para tanto, ou até mesmo pela pressão popular. Caso contrário, nós brasileiros, continuaremos vivendo num mundo como vítimas, sem saber que somos vitímas de algo que não conhecemos e suas finalidades, até mesmo no campo da fé.
     O texto que segue a baixo recebi por e-mail. Ele é de autoria de jornalistas da Folha de São Paulo que se apresentam nas primeiras linhas. Os autores se propuseram a viver uma situação e agora mostram o que o homem é capaz de fazer com o desespero das outras pessoas. E o pior é que encontram facilidades incríveis nos meios públicos. Permissões vergonhosas que um trabalhador de bem não consegue na nossa burocracia mundana para melhorar de vida, de forma honesta...

Segue o texto...

       Eu, Claudio Angelo, editor de Ciência da Folha, e Rafael Garcia, repórter do jornal, decidimos abrir uma igreja.
       Com o auxílio técnico do departamento Jurídico da Folha e do escritório Rodrigues Barbosa, Mac Dowell de Figueiredo Gasparian Advogados, fizemo-lo. Precisamos apenas de R$ 418,42 em taxas e emolumentos e de cinco dias úteis (não consecutivos). É tudo muito simples.
       Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para criar um culto religioso. Tampouco se exige número mínimo de fiéis.
       Com o registro da Igreja Heliocêntrica do Sagrado Evangélio e seu CNPJ, pudemos abrir uma conta bancária na qual realizamos aplicações financeiras isentas de IR e IOF. Mas esses não são os únicos benefícios fiscais da empreitada. Nos termos do artigo 150 da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a todos os impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda ou os serviços relacionados com suas finalidades essenciais, as quais são definidas pelos próprios criadores. Ou seja, se levássemos a coisa adiante, poderíamos nos livrar de IPVA, IPTU, ISS, ITR e vários outros "Is" de bens colocados em nome da igreja.
       Há também vantagens extratributárias. Os templos são livres para se organizarem como bem entenderem, o que inclui escolher seus sacerdotes. Uma vez ungidos, eles adquirem privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (já sagrei meus filhos Ian e David ministros religiosos) e direito a prisão especial.



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Absurdos Brasileiros. E nós com isso?

Reajuste imoral dos salários dos congressistas, o CNJ dando aposentadoria compulsória a magistrados envolvidos com criminosos, começo a pensar que a palavra 'absurdo' é pouco.

Toda indignação é pouca para reclamar de alguns absurdos do nosso imenso Brasil. A raiva aumenta quando eles são jogados na cara do povo, como rajadas de metralhadora. É um absurdo atrás do outro noticiado pelo quarto poder. Para aguentar os bombardeios das aberrações, somente nós brasileiros, que como bem disse um redator publicitário (e os empresários acreditaram nisso) “não desistimos nunca” de nós mesmo.
     Mas, não vim aqui para discorrer sobre a nossa insistência em nos manter em pé, e na torcida por dias melhores como trabalhadores e cidadãos (alguns se aceitam como vagabundos) que somos. Quero apenas traçar um paralelo de alguns absurdos brasileiros com a nossa falta, não só de coletivismo (como na época do regime militar), mas também com a inoperância de instrumentos que poderiam representar de forma legal (já que somos uma nação dotada de leis) a nossa repulsa contra aquilo que não compactuamos, com o que é imoral.
Congressistas reajustam salários com velocidade nunca vista
antes para temas de relevância para a sociedade brasileira
     Os absurdos começam pelos Poderes constituídos do País, especialmente pelo Legislativo, formado por homens que fazem as leis. Esses senhores, numa prova desnuda do seu valor, fazem valer com fé o velho ditado: farinha pouca, meu pirão primeiro. Por isso, a imoralidade dos nossos congressistas mostra mais uma vez como cabem no playlist do País, mais e mais trilhas sonoras de absurdos brasileiros. Hoje, dia 15 de dezembro, mais rápido que o The Flash, os deputados federais e logo depois os senadores, aprovaram o aumento dos seus salários para R$26,7 mil, um reajuste privilegiado de 61,83%. Os beneficiados são os 513 deputados federais e os 81 senadores da nossa velha e generosa republiqueta.
     O pior de tudo dessa aprovação relâmpago é o chamado ‘efeito cascata’. Mais impiedoso que os tornados norte-americanos, o ‘efeito cascata’ fará com que deputados estaduais e vereadores sejam também beneficiados com gordos aumentos dos seus salários. A remuneração de um parlamentar estadual corresponde 75% da recebido pelo deputado federal. Na sequência, os vereadores, pelo menos os da capital, são contemplados pelos mesmos 75%, só que desta vez correspondente a folha de um deputado estadual.
     E para quem já treme ao pensar que o assalto (de forma legal, mais imoral) aos cofres públicos será ruim ao somarmos tudo para saber o quanto será essa oneração mês e ano dos congressitas, é preciso tomar muito suco de maracujá para não tremer quando somarmos os reajustes dos 1.059 deputados estaduais, e dos 57.748 vereadores eleitos pelo povo brasileiro nas últimas eleições. Começo a pensar que a palavra ‘absurdo’ é pouco para toda essa tremenda sacanagem que os congressistas aprontaram conosco. Feliz mesmo, somente eles, e o palhaço Tiririca que chegou ao Congresso Nacional, em sua primeira visita, dizendo "Acho bacana, acho legal. Dei sorte", se referindo a aprovação do novo salário.
     Outro grande e feio exemplo dos absurdos do Brasil é a tal da Aposentadoria Compulsória, como punição aos homens chamados pelo Estado para resguardarem as leis (juízes, promotores e procuradores), acusados de algum crime ou infração. Há tempos venho questionando essa incoerência nas decisões do Judiciário. Situação chamada muitas das vezes de corporativismo barato, para a qual mais cabe a palavra ‘perversão’.
     Ontem, por exemplo, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ao comprovar a participação direta dos juízes amazonenses Hugo Levy e Rômulo Fernandes, com os esquemas de crimes montados pelo ex-prefeito de Coari, Manoel Adail Pinheiro, deu aos nobres magistrados aposentadoria compulsória. O mesmo prêmio foi concedido ao ex-promotor de justiça Walber Nascimento pelo Ministério Público, quando descobriram uma relação estranha dele com o traficante Flávio Augusto Coelho de Souza, o Flavinho da 14 (já morto). Esse traficando tinha ligação com o caso do ex-deputado Wallace Souza, acusado a época pelo Ministério Público dos crimes de homicídio, tráfico de drogas coação de testemunhas, porte ilegal de armas e formação de quadrilha.
     E como já foi dito, a aposentadoria compulsória nesses casos é na verdade um belo prêmio a quem recebe. Por quê? Porque, uma vez que a figura deixa de exercer sua função como homem que deve resguardar a lei, e não deturpá-la, ele vai curtir com a família os mais de R$ 20 mil de aposentadoria que saem pela força do direito dos cofres da Previdência Social. Lesos, não... Hugo Levy, Rômulo Fernandes e Walber Nascimento, por exemplo, estarão por aí neste instante (preocupados talvez com o fim das carreiras), mas sem a dor do Luiz, da Sandra, do Antônio, da Roberta e de muitos outros brasileiros que não conseguem um emprego para aliviar o sofrimento de seus pais que penam nas filas no INSS.
     Assistindo, lendo e ouvindo situações como essas, a indignação cabe aos homens e mulheres de bem. Mas, ela não consegue alcançar níveis beligerantes para mudar de fato a regra do fisiologismo nacional. Com braços, pernas, voz rouca, mas sem caminhos, me resta perguntar aqui um questionamento de um amigo, numa conversa rápida comigo pelo twitter: “E eu fico pensando: para que serve o Ministério Público? Para entrar com ações contra donos de bares, contra quem derruba árvore e contra vereador”. E por favor, não me venham com o discurso fácil, institucional e “clichê demais”, como diria outra amiga de profissão.

Por Emerson Quaresma

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Descobrindo Machado em Hatoum

De um recorde de leitura pessoal, vi o mestre de outros tempos no mestre de hoje. Talvez, mais tarde, me arrependa ou apenas reformule conceitos. Mais tarde talvez...


Meus olhos ardem quando estou de frente para o computador, e isso não é de hoje. Estão cada vez mais cansados. Minha costa dói em qualquer posição que estiver: sentado, deitado, em pé, andando ou parado. Isso me perturba tanto quanto alguma sensação de improdutividade que paira sobre meu trabalho, em tempos de muita atividade de pouco prazo, e ausência de braços outros de apoio na execução das tarefas. Um paradoxo quase insolúvel.
     Não fosse o incomodo verdadeiro das doenças ocupacionais poderia ter começado esta prosa a partir do segundo parágrafo que em outro caso seria o primeiro, sem esta longa oração que finda por hora nesta palavra. Iniciaria dizendo: Neste instante, uma sensação de felicidade recai sobre mim nesta manhã de negro céu que anuncia uma furiosa chuva. Impressão que nasceu desde cedo, e cresceu já no balcão do trabalho, ao olhar para a minha direita, e pousar o olhar sobre algo que por ali foi depositado pelas minhas próprias mãos.
     Sobre a mesa de trabalho vi um vermelho forte de uma poltrona de couro. Sobre ela, capas de DVDs, livros e uma foto preto e branco. Ao fundo, um negrume fosco que dá um ar de tranquilidade ao ambiente noturno. Na parte superior um iluminado sereno de um abajur que chama atenção para o nome do crítico de cinema e escritor canadense David Gilmour. É a capa do seu livro ‘O Clube do Filme – Um pai. Um filho. Três filmes por semana’.
     Ar de feliz por quê? Afirmo com quantas letras forem necessárias, porque é o quarto livro que leio depois das aprendizagens e dos destemperos do processo eleitoral de 2010. Não só por isso, mas porque também representa algo além da minha média anual de leitura, desde quando decidi gostar de leituras, sobretudo, das de romances (não quero dizer aqui simplesmente de amores), contos e poemas. E isso data lá dos meus 19 anos. Antes, lia por alguma obrigação da escola. Hoje, alcanço um recorde pessoal que tem me aliviado de alguns muitos estresses das últimas semanas. Mais ainda porque reacende outros projetos pessoais, os quais os retomarei logo, com uma visão mais madura e treinada (apesar de cansada por conta do computador).
     Não quero aqui produzir resenhas dos livros que li, até porque não tenho prática nessa arte de resenhar obras dos outros, nem as minhas poucas em particular. Pretendo nessas linhas apenas aliviar os anseios de um pobre jardineiro das letras, um aprendiz.

     Antes da obra de Gilmour, tive o prazer de cumprir uma façanha jamais vista nos últimos 27 anos de vida (nem quando tentei arrumar fôlego aos 21 para ler o máximo das obras machadianas). Posso assim dizer, que comecei pelo começo das obras de Milton Hatoum. Os primeiros passos dessa saga se deram de forma meio confusa com ‘Relato de um certo Oriente’. A leitura dessa obra teve início ainda durante a campanha eleitoral, em dias de cansaço, meio sonolento. Parei. Não tive condições de continuar. Após a ressaca eleitoral do primeiro turno reiniciei a leitura querendo de fato entender quem dizia o que naquela obra. Livre de preocupações outras foi mais fácil entender o que o autor e suas personagens queriam dizer.
     Após ‘Relato de um certo Oriente’, continuei com Hatoum, dessa vez com ‘Cinzas do Norte’. Havia pelo menos cem páginas a mais que a obra anterior. Com mais cuidado, comecei pelas orelhas do livro, com as quais não quis perder tempo com o ‘Relato...’. Me dei conta de que tinha começado pelo começo e que com ‘Cinzas...’ tinha dado um salto para a terceira obra do amazonense. Senti-me mais ávido por sua produção literária, e após ‘Cinzas do Norte’, regressei na cronologia de sua biografia. Fiz questão que a minha terceira leitura fosse ‘Dois Irmãos’, sendo essa a segunda obra do premiado filho de imigrantes libaneses.


     Incrível como algumas coincidências são evidenciadas quando menos esperamos, na arte e na vida, ou melhor, entre a ficção e a vida real. As três obras tratam de dramas familiares na Manaus das antigas, e como uma crítica sutil aos amazonenses de hoje, não deixa de contar na sua ficção a parte feia da nossa história. Uma evolução regressiva numa cidade que prometia (e hoje ainda promete), e por isso se comprometia com a explosão demográfica.
     Hatoum faz da sua origem familiar, dos imigrantes, as páginas das suas primeiras invenções literárias, alcançando tramas e dramas que não fogem muito das do cotidiano da Manaus de hoje. Depois, com ‘Cinzas do Norte’, sem deixar de citar algum imigrante (ainda que não como tema principal, desta vez um português), o escritor retoma o drama familiar, acercado de algumas revoltas em pleno regime militar. E como nos contos anteriores, mesmo tendo sua obra ambientada em Manaus, nos leva a alguns passeios fora daqui. Desta vez é possível visualizar um Rio de Janeiro antigo, mas já muito mais rico que a nossa cidade. Ousa ainda em nos levar por ruas de cidades da Alemanha e de Londres. Em ‘Dois Irmãos’ as caminhadas são por uma São Paulo em pleno desenvolvimento.
    
     Da riqueza a pobreza das famílias, suas constantes transições e as transformações grosseiras do tempo, Hatoum com a sua obra nos deixa muitos ensinamentos, com uma leitura envolvente, mais acessível aos nossos dias, e tão rica quanto às de Machado de Assis (21 de junho de 1839 a 29 de setembro de 1908). Acredito até que a invenção literária do nosso Milton Hatoum possa ser considerada como uma tradução para os nossos tempos, com cenários nossos, das obras de mestre Machado.
     Exagero meu? Talvez. Certo é que Machado e Hatoum são hoje os maiores nomes da literatura brasileira. Machado do seu tempo até os dias de hoje, e ambos daqui para as futuras gerações, que espero não se deixarem levar pela epidemia da parafernália tecnológica, e que por isso não esquecerão o bom exercício para a vida que é uma boa leitura, de um bom livro.


Emerson Quaresma

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A dúvida

Aquele porto há tempos não era mais o seu lugar. A única certeza era a de que precisava atracar por lá novamente, distante da capital, mas não das ideias do vendedor de remédio natural.
       O motor do barco recreio fazia muito barulho, que só foi abafado com a violência da tempestade que iniciou no final daquela tarde nostálgica para Miguel.
       Só pensava em tirar a dúvida sobre o que lhe falara Afrânio, de que o menino ganhava cada vez mais suas feições, e até o piscar de olhos incomum que o perturbava com a chuva.
       Vento forte, rio Madeira cheio, visão turva, pedaços de árvores a deriva. Miguel não tiraria sua dúvida pra lá de Manicoré, depois do encontro fatal do barquinho com uma árvore centenária.

 
Emerson Quaresma
Miniconto

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Ou isto (Dilma) ou aquilo (Serra)


Dilma Rousseff e JoséSerra se enfrentam no segundo turno

O dia do segundo turno das eleições 2010 se aproxima, e eu continuo como muitos brasileiros, no velho dilema poético de Cecília Meireles: “Ou isto ou aquilo”. Ainda não decidi se voto em Dilma Rousseff, ou se voto em José Serra.
      Muita coisa me perturba as idéias e os princípios para chegar a uma decisão definitiva. Até porque penso ser covardia votar em branco, ou anular o voto. Certo que são opções da democracia, mas se fosse democracia de verdade, o voto não seria obrigatório.
      O que fortalece a dúvida entre uma petista e um tucano – e, diga-se de passagem, que é a primeira vez, em 27 anos de estrada, que penso em votar num tucano para presidência da República – são suas propostas, seus passados, seus presentes e seus grupos.
      Por que votaria em Dilma Rousseff? Porque ela vem representando um governo que tirou muitos brasileiros da miséria, distribuiu renda, ainda que com políticas assistencialistas como o Bolsa Família, e levou um bocado de gente pra faculdade com o ProUni.
      E como bem falou Chico Buarque: “um governo que não corteja os poderosos de sempre, não despreza os sem-terra, os professores e os garis. Um governo que fala de igual para igual com todos, que não fala fino com Washigton, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”.
      Dilma ainda vem com a força de um marketing poderoso. Visionário, Lula viu que poderia eleger a primeira mulher presidente da história do Brasil. (Mas, essa primeira mulher não poderia ser a Marina Silva?). Deixa estar que Dilma conseguiu seguir as regras pra chegar lá.
      Agora me pergunto, por que não votar na Dilma? Respondo, porque assim como a continuidade do bem, ela pode representar a continuidade em todos os sentidos. Essa afirmativa é correta quando vemos que na bagagem ela traz José Dirceu.
      O comandante do esquema do mensalão é também um dos grandes incentivadores dos radicais petistas. Gente que sonha com um País totalitário, algo muito próximo ou até pior que o atual regime venezuelano. Um cara que vê a liberdade de imprensa como problema social.
      Assim como a Dilma, tenho meus porquês de votar no Jose Serra. Seu currículo mostra um homem preparado para comandar uma nação como o Brasil. Sua larga experiência e o fato de querer fazer melhor que o Lula, deram a ele (na minha concepção) uma chance de ser votado.
      Ministro, prefeito, governador, senador são algumas das funções que já viveu durante sua vida política. Numa análise mais simplista, Serra é alguém que tem visão sobre todas as esferas políticas e públicas e pode desenvolver um bom trabalho para País, nos próximos quatro anos.
      Serra inclusive, num primeiro momento, não fez oposição por oposição e chegou até a elogiar o governo Lula, e também falou em dar continuidade nos projetos, e propôs outros durante seu programa eleitoral na TV e na rádio.
      Agora, por que não votar em José Serra? Porque a história neoliberal conta que a política do café com leite é de desprestigio aos nortistas. O comando tucano sempre discordou da Zona Franca de Manaus (ZFM), porque seus incentivos fiscais concorriam com a indústria paulista.
      Foi no comando de Fernando Henrique Cardoso, o FHC, que foi editada a Lei de Informática que fechou as portas de várias indústrias do Pólo Industrial de Manaus. Foi o conceito tucano que manteve um atraso no desenvolvimento sócio-econômico para o povo de cima do mapa.
      Mas, falando como eleitor, Serra tem mais pontos comigo do que a Dilma. Serra se fez de simpático e quebrou tabus ao pisar em solo amazonense. Pelo menos duas vezes esse ano. Uma vez durante o Festival de Parintins e outra na campanha. Foi à feira do Mutirão.
      A petista ainda não veio por essas bandas. Foi até Belém (PA), nossos vizinhos, e fez ouvido de mercador para as bandas de cá. Ela também não fez propostas pra esse nosso mundo verde, enquanto Serra se comprometeu na TV e no Rádio e nos jornais em prorrogar a ZFM.
      Certo é que ainda tenho até o dia 30 de outubro pra decidir, dia em que meu filho completará três anos de vida. E quero no dia 31 fazer a melhor escolha para que o Igor Vinícius, comedor de tapioca e tambaqui, possa comemorar dignamente outras estações nesse nosso chão.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dia do Poeta

Aos poetas restam as flores
e a brisa fria do amanhã
leve água que humidece o chão
para semear a esperança
por dias menos vis
por uma bela canção
livre, mais branda
que nos aproxima de Deus.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Arthur, o senador do brasileiro

Não quero aqui, nesse novo post, declarar amores a pessoas, instituições, bandeiras partidárias ou das lutas tantas da sociedade brasileira. Pretendo apenas dizer que um Estado não existe sem oposição. Um país dotado de uma carta magna que prega a liberdade depois dos horrores que viveu no regime militar, não passa de uma mera ficção se não tem alguém que o questione. Passa a ser um Estado burro, é antidemocrático e fere os direitos humanos.
       Se não temos alguém com o olhar questionador sobre as ações de quem está no comando do orçamento da nação, o País não encontra um ponto de equilíbrio. Por isso, ele pode percorrer sua estrada desequilibrado para um lado, até tombar em berço esplendido, sem conseguir se levantar para continuar caminhando com o seu povo, rumo à construção de uma sociedade mais igualitária, e livre de pensamento.
       É bem verdade que o governo Lula conseguiu dá ao Brasil, nos quase oito anos, um ar de nação em constante desenvolvimento. Sinto uma nação menos desigual com essa gestão, apesar de tantas acusações de envolvimento com o esquema do “mensalão”, dos “aloprados”, tráfico de influência, desmoralização da Receita Federal com a quebra de sigilos fiscais, além de inúmeras tentativas de dossiês.
       Numa visão mais romântica, pelas conquistas desse governo no campo da economia, do social e da infra-estrutura não teria dúvida de que Lula mereceria continuar com o timão dessa nau tupiniquim. No entanto, com visão mais consciente, vejo a sucessão como necessária, seja ela com alguém indicado por ele, ou por alguém de outro partido que conquistar a confiança do povo.
       Mas, não vim aqui nessas linhas para falar bem ou mal do Lula, ou da sua candidata à presidência da República Dilma Rousseff. Vim para discorrer sobre alguém que fez o contraponto necessário sobre esse governo, e evitou possíveis exageros e escorregões do atual comandante do Brasil, na aplicação de seus programas.
       O senador Arthur Neto se mostrou o mais combativo dos parlamentares daquela casa legislativa. Talvez o que mais fez o governo repensar sobre sua caminhada rumo a um certo mundo de totalitarismo e aparelhamento do Estado brasileiro, e por isso, ele se tornou um dos principais alvos do PT no processo eleitoral desse emblemático 2010.
       Pelo discurso seguro, às vezes com algum desequilíbrio (porque ninguém é de ferro), fez o Lula causar tamanho CONSTRANGIMENTO ao PT do Amazonas, ao se propor a gravar programa eleitoral para pedir votos a favor da comunista Vanessa Grazziotin, em detrimento da sua amiga Marilene Corrêa, também candidata ao Senado. Tudo para ver ao chão aquele que elegeu como seu principal adversário político.
       Durante sua vida no Senado, Arthur Neto conquistou, não comprou liderança no Congresso Nacional, e com ela mostrou que o Estado do Amazonas tem sim homens e mulheres competentes. E ao fazer uso dessa liderança, mostrou a importância da Zona Franca de Manaus para a região, dando assim, os primeiros passos para as consecutivas prorrogações assinadas por Lula.
       Como disse no princípio, um Estado sem oposição é burro e antidemocrático. E penso hoje que, se assim o povo entender, ao perder um representante combativo como o senador Arthur, corre-se o risco de assistir o Senado se tornar um curral de ovelhinhas da presidência. E que Deus nos livre, servirá apenas para abrir caminho aos radicais que sonham com uma nação totalitária, como hoje é a Venezuela de Hugo Chaves.


Emerson Quaresma

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Os falsos heróis do povo

O mundo da política está sitiado por heróis do povo. Aqueles que se apresentam como a salvação das pessoas desprovidas dos bens públicos, e de direitos que o Estado teria por obrigação de conceder, mas acaba por trabalhar uma engenharia maquiavélica, que há séculos força o cidadão a pedir socorro por pouco. Esses super-homens nascem com os super poderes da mídia e dos cofres públicos, para fazer de conta que são eles sim, a solução para tudo e para todos. Mas, não passam de falsos heróis que se alimentam da miséria alheia, para se fortalecerem no poder.
       Quando criança, meus heróis favoritos eram aqueles de fácil acesso. Principalmente os que estavam na grade de programação das TVs abertas, regulamentadas a partir de uma concessão pública do governo brasileiro. Dos seriados japoneses, exibidos pela extinta Rede Manchete, e depois pela Record, lembro o quanto gostava do Jaspion com o gigante guerreiro Daileon; dos Changeman, o Esquadrão Relâmpago; do Black Kamen Rider; do Jiban; e do Jiraya, a quem tentei por muitas vezes imitar subindo e pulando de cadeiras e dos sofás de minha mãe.

O incrível ninja Jiraya
Jaspion

       Dos desenhos exibidos pela Glogo e SBT, na minha mente problemática, me vem a lembrança o Superman do Planeta Krypton; o Lion, líder dos ThunderCats com seu olho de Tandera; o He-man do Planeta Eternia; os Transformes de Optimos Prime e o inimigo Megatron; o incrível Huck; o Batman; e o Homem Aranha, meu favorito até os dias de hoje (não sei bem o porquê).


Superman
Transformes - Opitimus Prime

       Em outro momento não poderia deixar de citar grandes heróis que marcaram uma temporada por conta das suas histórias de uma continuidade interessante, como os Cavaleiros do Zodíaco. Eles embalaram muitas tardes minhas e de amigos meus de infância. Anos mais tarde, posso citar o Goku do Dragon ball – Z, que transitou por várias emissoras no final de minha adolescência, e não duvido que ainda tenha lugar em algum canal, seja ele aberto ou fechado.


Cavaleiros do Zodiaco

       Graças a algumas decisões tomadas durante a minha adolescência, não me tornei um viciado em desenhos. O que de repente pode ter me ajudado a buscar outros caminhos na vida, até alcançar um bom lugar no mercado e trabalho (é claro que ainda tenho muito a caminhar). Digo isso porque, convenhamos, esses heróis da minha infância pouco ou nada educavam a meninada. Não me lembro de mensagens mais educativa. Sua única missão: o bem sobre o mal.
       Mas, é verdade que todas as lutas dos heróis, com seus super-poderes, trabalhavam o imaginário de meninos e meninas, que descobriam nessas literaturas (a maioria comercial) novos mundos e novas formas de vê o seu mundo real. Mas, é também verdade que remetiam aos olhares ingênuos a catequese da necessidade do ser humano, enfraquecido, de ter alguém por ele.
       Não muito diferente dos seriados de super-heróis de quando criança, os heróis da TV de hoje, constroem a imagem de quem tem o poder de cobrir as lacunas de governos inoperantes, muitas vezes usando das estruturas dos mesmos para resolver problemas pontuais, e por isso são aplaudidos por aqueles desprovidos de consciência crítica.
       Ainda na infância, bem moleque, pela TV - preto e branco, assistia o nascimento da primeira figura dos falsos heróis da vida real. Nonato Oliveira não se prestava diretamente às crianças como os desenhos infantis. Elas assistiam a aquele programa transmitido por TV local, pela necessidade de mães e pais cuja maior luta era a da sobrevivência, num País muito desigual.
       As famílias precisavam de um grito mais alto sobre aqueles que prometiam mundos e fundos, e não conseguiam passar da política da dentadura e da assistência com sacolinhas de rancho. E esse grito surgia da TV. Assim se materializava a fórmula da conquista de audiência a partir da miséria dos outros, para a simples equação do quociente eleitoral.
       Nonato foi a revelação para deputado estadual nas eleições de 1987. Seu sucessor foi Lupércio Ramos. E desde o final dos anos 80, com a fórmula maldita melhorada, e o acesso à TV aberta cada vez mais consolidado nas classes menos favorecidas, que os programas assistencialistas e policialescos vêem fazendo efeito positivo para quem deles faz uso.
       Nonato e Lupércio fizeram público fiel de miseráveis. Mas, foi os irmãos Souza, Carlos e Wallace, que conquistaram recordes imbatíveis de votos. Carlos para Câmara Municipal de Manaus (CMM). Wallace para a Assembleia Legislativa do Estado (ALE). E depois, Carlos para a Câmara dos Deputados. O irmão Fausto não conseguiu repetir a façanha dos dois primeiros, e demorou a conseguir entrar na CMM.
      

Wallace e Carlos Souza, do instinto programa Canal Livre

       Na esteira dos Souza, um homem de passado duvidoso surge na TV com linguajar chulo, piegas, batendo em tudo e em todas as instâncias do Estado. Sabino Castelo Branco é eleito a vereador de Manaus. Anos depois, ‘esculhambando’ com prefeito e governador no seu programa, e logo em seguida se juntando a eles, surge como o novo grande herói da TV amazonense. Desta vez, com música gospel, conquista uma cadeira na Câmara Federal com uma invejável quantidade de votos.


Sabino Castelo Branco - programa Bronca na TV

       Passada a fase dos irmãos Souza e de Sabino, que ficou de escanteio depois de insistir em aperrear prefeito e governador na TV, é a vez de mais um infeliz surgir na vida miserável do povo amazonense. Com o mesmo esquema policialesco e assistencialista dos recordistas de voto, o ex-funcionário do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) Henrique Oliveira toma o espaço que estava vago. Henrique é eleito vereador de Manaus como campeão de votos e vira promessa maldita para a Câmara dos Deputados.


Henrique Oliveira - programa Fogo Cruzado

       Em 2010, Sabino conseguiu aos 45 minutos do segundo um espaço na grade de programação de TV local para o seu programinha. Mas, para ser candidato a reeleição teve que passá-lo para o seu filinho Reizo Castelo Branco, por conta da legislação eleitoral. Carlos Souza estava inoperante como um vice-prefeito apagado por conta da crise familiar que envolveu irmão e sobrinho, acusados de comandar o tráfico de armas e drogas. A morte do irmão Wallace deu vida a uma campanha quase morta.
       Henrique Oliveira deveria ter ficado sem mandato por ter escondido que era funcionário do TRE, mas, foi beneficiado pelas brechas constitucionais. E agora, os três, Carlos Souza, Sabino Castelo Branco e Henrique Oliveira, os falsos heróis do povo se enfrentarão num combate interessante pelo voto dos miseráveis.
       Os campeões de voto terão agora que dividir essa sopa eleitoral numa sufocante disputa onde os heróis parecem cansados, desgastados pelo tempo, como os seriados japoneses. Pior, terão dividir a sopa com outra porção de políticos que usam da concessão pública para obter o sufrágio eleitoral.

 
Emerson Quaresma

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Ao leitor do Blog do Quaresma

O Blog do Quaresma nasceu sem pretensão antagônica alguma, que não a de manter um ciclo de discussão sobre política, do cenário dinâmico aos seus bastidores instigantes e indigestos; sobre literatura no seu sentido mais amplo e na busca de interação com a nova geração de escritores; e sobre a sociedade, garantindo aos movimentos sociais um espaço independente, sem bandeiras partidárias, na construção de ideais e na difusão democrática das mesmas.
       Certo é que, apesar do período eleitoral oferecer um prato cheio para discussões sobre o processo, suas fases, seus personagens, suas regras, seus riscos e por que não a sua importância, o editor deste blog decidiu junto ao Conselho Editor priorizar o campo da literatura.
       Essa decisão encontra justificativa na carência de espaços voltados para essa atividade cultural, construída por gente daqui do Amazonas. É importante deixar claro que não nos furtaremos de entrar no debate político e da sociedade. O faremos quando necessário.
       Mas, por enquanto, a porta está aberta à beleza das palavras e suas rimas trabalhadas em poemas, ao suspense e tramas construídos em contos, microcontos e nanocontos, às resenhas e criticas literárias. A casa é dos novos escritores amazonenses, e que eles tenham neste blog uma ferramenta de interação da sua obra com a blogesfera.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sobrecarga

.: Aquela luz ficava cada vez mais forte, como há muito Chico Brito não via nas noites em sua cabana de palha. Dava até para vê as espinhas do jaraqui.


Mas, felicidade de pobre dura pouco. A velha lâmpada de 50 watts queimou com a sobrecarga da energia. Teve que aparar a espinha com a língua.

 
Microconto
Emerson Quaresma

Fumaça

.: Dito sentiu falta de ar naquelas 5 horas da manhã, ao acordar. Seus olhos mal abertos sentiram um ardume incomum das suas madrugadas.


Abriu a janela do quarto, e sentiu forte cheiro de fumaça. Desesperado e incapaz, viu as chamas do seu lixo avançarem sobre a mata virgem.

 
 
Microconto
Emerson Quaresma

Carlos Drummond de Andrade Vida e Morte

Nasceu em ltabira (MG) em 1902. Fez os estudos secundários em Belo Horizonte, num colégio interno, onde permaneceu até que um período de doença levou-o de novo para ltabira. Voltou para outro internato, desta vez em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro. Pouco ficaria nessa escola: acusado de "insubordinação mental" - sabe-se lá o que poderia ser isso! -, foi expulso do colégio. Em 1921 começou a colaborar com o Diário de Minas. Em 1925, diplomou-se em farmácia, profissão pela qual demonstrou pouco interesse. Nessa época, já redator do Diário de Minas, tinha contato com os modernistas de São Paulo. Na Revista de Antropofagia publicou, em 1928, o poema "No meio do caminho", que provocaria muito comentário.

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Ingressou no funcionalismo público e em 1934 mudou-se para o Rio de Janeiro. Em agosto de 1987 morreu-lhe a única filha, Julieta. Doze dias depois, o poeta faleceu. Tinha publicado vários livros de poesia e obras em prosa - principalmente crônica. Em vida, já era consagrado como o maior poeta brasileiro de todos os tempos.

O nome de Drummond está associado ao que se fez de melhor na poesia brasileira. Pela grandiosidade e pela qualidade, sua obra não permite qualquer tipo de análise esquemática. Para compreender e, sobretudo, sentir a obra desse escritor, o melhor caminho é ler o maior número possível de seus poemas.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Poema de amigo


Não te tenho como rosa,
Rosa é minha mãe gloriosa.
Não te tenho como amor
Pois amor é sinônimo de dor
De paz, uma vida a dois,
De fraqueza, de força.
E compartilho amor, hoje,
Com minha esposa.
Te tenho sim como amiga
Mulher linda, formosa,
Digna de maços de prosas
E essências exóticas de flor.




Poema
Emerson Quaresma

Ligação

.: Do outro lado da linha Lisândra sabe quem fala com uma tranquilidade irônica. É sem dúvida o jornalista Alves, crítico severo do seu Governo.


Como é de costume ensaiado há tempos, ela incentiva uma tosse, disfarça a voz e a ligação cai. Desliga o aparelho e espera a crítica do dia seguinte.

 
Microconto
Emerson Quaresma

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ilusão

.: Augusto tinha certeza que o que via ao final da via era sua amada Julieta, não era ilusão.
Seus passos não tinham certeza se queriam chegar até lá.
Aquela noite parecia mais úmida entre os dedos dos seus pés.
A garrafa caiu, ele caiu sobre a calçada e não viu mais sua musa da noite.



Microconto
Anderson Silva

Quadrângulo Amoroso

.: A menina Fernanda queria Fernando, que queria Francisco, que respeitava Fátima, que se dizia feliz por fazer firula com Fernanda. Acontece que fátima também queria Fernando, que não queria Fernanda que não teria chance nem mesmo com Francisco, desrespeitado por sua flor.


Microconto
Pedro Heitor

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Vela da procissão

Primeiro microconto de um novo escritor, atendendo ao convite do conselho editor do Blog do Quaresma. Em breve novas obras serão postadas neste espaço que se propõe aos novos escritores, sem negar algumas linhas aos renomados.


.: Vela na mão durante procissão de São José, o menino Lucas viu nos cabelos da moça da frente a oportunidade de saber o poder do fogo.
Tio descuidado, Pessoa precisou tirar a camisa para apagar as chamas que queimavam aquelas mechas ruins, que deixavam a cintura dela.




 
Microconto
Antônio Coelho
Manaus-Amazonas

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